A camisinha interna existe desde os anos 1980, está disponível em farmácias brasileiras, é distribuída gratuitamente pelo SUS — e a maioria das pessoas nunca ouviu falar dela. Isso diz muito sobre como a responsabilidade pela prevenção sexual sempre recaiu mais sobre quem tem vulva do que sobre quem tem pênis.
Mas além da questão de autonomia, a camisinha interna tem vantagens práticas reais que fazem dela uma boa opção em situações específicas. Vale conhecer.
O que é a camisinha interna?
Também chamada de preservativo feminino ou “camisinha de dentro”, é uma bolsa macia de nitrilo (ou poliuretano, dependendo da marca) que é inserida na vagina — ou no ânus, para sexo anal — antes da relação sexual. Ela faz o mesmo papel da camisinha masculina: cria uma barreira física que impede o contato entre fluidos e, portanto, reduz o risco de ISTs e gravidez não planejada.
Parece mais complicada do que é. Com um pouco de prática, a colocação leva alguns segundos.
Como usar a camisinha interna
O processo é simples, principalmente quando você entende a anatomia:
- Escolha o momento: a camisinha interna pode ser inserida até 8 horas antes da relação — uma das suas maiores vantagens sobre a camisinha masculina, que depende da ereção do parceiro no momento.
- Encontre uma posição confortável: deitada, agachada ou com um pé apoiado — o que for mais fácil para você.
- Segure o anel interno: a camisinha tem dois anéis. O anel interno (menor, no fundo da bolsa) é o que vai ser inserido. Aperte-o entre os dedos, formando um “8”.
- Insira: empurre o anel interno para dentro da vagina, tão fundo quanto conseguir — semelhante a inserir um absorvente interno. O anel externo (maior) fica do lado de fora, cobrindo parte da vulva.
- Na hora do sexo: guie o pênis (ou o brinquedo) para dentro da abertura da camisinha. Se ela torcer ou se o pênis entrar pelo lado de fora, pare e reposicione.
- Para remover: após a relação, torça o anel externo para fechar a abertura, puxe com cuidado e descarte no lixo (nunca no vaso).
Quais são as vantagens?
A camisinha interna, entretanto tem algumas vantagens concretas sobre a masculina:
- Autonomia: não depende do parceiro. Quem tem vulva pode se proteger independentemente, sem precisar negociar na hora H.
- Pode ser inserida antes: sem precisar interromper o momento para colocar.
- Nitrilo é mais resistente: menos suscetível a rasgar do que o látex.
- Compatível com lubrificantes à base de óleo: diferente da camisinha de látex, o nitrilo não deteriora com óleos.
- Opção para alérgicos ao látex: tanto para quem usa quanto para quem penetra.
- Funciona para sexo anal: basta remover o anel interno e inserir da mesma forma no ânus.
E as desvantagens?
Honestidade antes de tudo:
- Requer prática. Na primeira vez pode parecer confuso — e tudo bem. Tente antes de precisar usar de verdade.
- O anel externo pode incomodar ou parecer estranho no início.
- É menos eficaz que a masculina quando usada incorretamente (cerca de 79% de eficácia com uso típico, contra 87% da masculina — mas ambas sobem para 95%+ com uso perfeito e consistente).
- É mais cara e menos disponível do que a camisinha masculina nas farmácias.
Onde conseguir
O SUS distribui camisinhas internas gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde, farmácias do SUS e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Em farmácias particulares, o preço varia mas costuma ser maior do que a masculina. Algumas marcas também vendem online.
Se você quer entender melhor como se proteger de ISTs além do uso do preservativo, vale ler o post sobre as ISTs mais comuns no Brasil e como se prevenir — a camisinha interna é uma das ferramentas, mas não a única.
Uma questão de opção, não de obrigação
A camisinha interna não veio para substituir a masculina. Veio para dar mais opções. Em relações onde o parceiro se recusa a usar camisinha, ela oferece alguma proteção — embora a conversa sobre respeito e limites seja a questão mais importante aí. Em relações onde ambos querem se proteger, ela amplia o repertório.
Conhecer os recursos disponíveis é o primeiro passo para usá-los bem. E pessoas que conhecem mais sobre sexo transam melhor — não é coincidência.
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