cartaz de divulgação de prevenção contra IST

ISTs mais comuns no Brasil: sintomas, transmissão e como se proteger

Falar sobre infecções sexualmente transmissíveis ainda causa desconforto — e esse desconforto tem um custo alto. O Brasil registra milhões de novos casos de ISTs por ano, e grande parte deles passa despercebida porque os sintomas são discretos ou inexistentes. Saber o que são, como se transmitem e como se proteger não é exagero: é parte básica de cuidar da própria saúde sexual.

IST não é coisa de quem tem “muitos parceiros” ou faz sexo “errado”. É uma possibilidade real para qualquer pessoa sexualmente ativa. Quanto antes isso for tratado como informação de saúde — e não como moral — melhor para todo mundo.

O que é uma IST?

IST significa Infecção Sexualmente Transmissível. O termo substituiu “DST” (Doença Sexualmente Transmissível) porque muitas dessas infecções não causam sintomas visíveis — mas continuam transmissíveis e, se não tratadas, podem causar complicações sérias. A pessoa pode ter uma IST sem saber, transmitir para parceiros e só descobrir meses ou anos depois.

Por isso, testagem regular faz parte de uma vida sexual saudável — independentemente de quantas pessoas você tem ou teve.

As ISTs mais comuns no Brasil

HPV (Papilomavírus Humano)

É a IST mais comum no mundo. Existem mais de 100 tipos do vírus; a maioria não causa sintomas e o organismo elimina sozinho em até dois anos. Alguns tipos causam verrugas genitais. Outros — especialmente os tipos 16 e 18 — estão associados ao desenvolvimento de cânceres de colo de útero, pênis, ânus, boca e garganta.

Transmissão: contato pele a pele na região genital, mesmo sem penetração. Preservativo reduz o risco mas não elimina completamente. Prevenção mais eficaz: vacina contra HPV, disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e em clínicas particulares para adultos.

Sífilis

Voltou a crescer no Brasil nos últimos anos e preocupa especialistas de saúde pública. É causada pela bactéria Treponema pallidum e evolui em fases. Na fase primária aparece uma ferida indolor (cancro duro) na região genital, ânus ou boca — que some sozinha e faz muita gente achar que passou. Não passou: a bactéria continua no organismo.

Nas fases seguintes pode causar manchas na pele, febre e, se não tratada, afetar coração, cérebro e outros órgãos. Na gravidez, pode ser transmitida para o bebê (sífilis congênita), com consequências graves. Tratamento: penicilina, com alta taxa de cura quando feito no tempo certo.

Herpes genital

Causada pelos vírus HSV-1 e HSV-2. Manifesta-se como bolhas ou feridas dolorosas na região genital ou anal, que aparecem em surtos e somem — mas o vírus permanece no organismo para sempre. Muitas pessoas têm herpes e nunca desenvolvem sintomas; outras têm surtos recorrentes.

Transmissão: contato com a pele ou mucosa infectada, inclusive sem lesões visíveis. O preservativo reduz mas não elimina o risco. Não tem cura, mas medicamentos antivirais controlam os sintomas e reduzem a transmissibilidade.

Clamídia

Uma das ISTs bacterianas mais comuns e uma das mais silenciosas. Primeiramente, a maioria das pessoas infectadas não tem sintomas. Quando aparecem, podem incluir corrimento, ardência ao urinar e, em mulheres, dor pélvica. Se não tratada, pode causar doença inflamatória pélvica e comprometer a fertilidade.

Tratamento simples com antibióticos. Testagem regular é a única forma confiável de saber se está infectado.

Gonorreia

Causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Pode causar corrimento, juntamente com ardência ao urinar e dor. Em mulheres, frequentemente não dá sintomas. Pode infectar garganta e ânus além dos genitais. O problema crescente com a gonorreia é a resistência a antibióticos — algumas cepas já não respondem a tratamentos convencionais.

HIV

O vírus que causa a AIDS continua relevante, todavia o cenário mudou muito. Com tratamento adequado (antirretrovirais), pessoas vivendo com HIV têm qualidade de vida normal e carga viral indetectável — o que significa que não transmitem o vírus sexualmente. A PrEP (profilaxia pré-exposição) é um medicamento preventivo disponível no SUS para quem tem maior risco de exposição.

Como se proteger

  • Preservativo (masculino ou feminino): ainda é a proteção mais acessível e eficaz contra a maioria das ISTs. Funciona especialmente bem para gonorreia, clamídia, HIV e sífilis.
  • Testagem regular: se você é sexualmente ativo, teste pelo menos uma vez por ano — ou a cada troca de parceiro. O SUS oferece testes gratuitos para HIV, sífilis, hepatite B e C e outras ISTs.
  • Vacinação: HPV e hepatite B têm vacinas disponíveis. Hepatite A também, indicada especialmente para quem pratica sexo anal.
  • PrEP e PEP: medicamentos preventivos para HIV disponíveis no SUS. PrEP é tomada regularmente; PEP é uma emergência tomada após exposição de risco.
  • Conversa com parceiros: falar sobre testagem e status de saúde antes de uma relação sexual sem proteção não é desconforto — é respeito mútuo.

Testagem: sem drama, com regularidade

Fazer o teste não é admissão de erro. É de fato cuidado. A maioria das ISTs tem tratamento eficaz quando detectada cedo. Muitas unidades de saúde do SUS oferecem testagem gratuita e sigilosa. Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) existem em várias cidades e são especializados nisso.

Se você quiser entender melhor como estudar sobre sexo muda a qualidade da sua vida sexual, esse é um bom começo: saber o que está acontecendo com o próprio corpo e tomar decisões informadas.


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