É muito comum que relacionamentos tenham uma fase — ou mais de uma — em que o sexo perde a intensidade. Se isso está acontecendo com você, saiba que não há nada de errado: a maioria dos casais passa por isso. O que separa os que resolvem dos que não resolvem é, surpreendentemente a disposição de fazer alguma coisa a respeito.
Este guia reúne primeiramente 13 passos para apimentar a relação que vão além dos clichês de sempre. Sem lingerie milagrosa, sem lista de acrobacias sexuais, sem soluções que funcionam só para os outros. Aqui o foco é no que realmente move o desejo a longo prazo.
1. Não abandone partes essenciais da sua personalidade
A psicoterapeuta Esther Perel, especialista em sexualidade em relacionamentos duradouros, defende que o desejo sexual de fato cai quando casais eliminam completamente a distância entre si. Quando você para de ter vida própria, hobbies, objetivos pessoais e até opiniões divergentes, deixa de ser misterioso para o parceiro — e o mistério é combustível do tesão.
Consequentemente, preserve as coisas que te fazem você mesmo. Amizades, interesses, espaço pessoal. Não é egoísmo: é manutenção da atração.
2. Verifique se o relacionamento está bem nas outras esferas
O cérebro é o principal órgão sexual. Portanto, antes de investir em técnicas de cama, avalie se há tensões mal resolvidas no relacionamento. Respeito mútuo, saúde mental, bem-estar físico — tudo isso impacta diretamente o desejo. Entretanto, se a conta bancária de afeto está no vermelho, nenhum truque sexual vai compensar.
3. Conheça bem o seu próprio corpo
Parece óbvio, mas muita gente entra em relacionamentos sem saber o que realmente sente prazer. A masturbação regular é uma das melhores ferramentas para isso — ela ensina o que funciona, mantém a musculatura pélvica ativa e melhora o sexo a dois. De fato mulheres que se masturbam chegam ao orgasmo com muito mais facilidade durante o sexo.
4. Busque novas formas de dar e receber prazer
Todo casal desenvolve um “roteiro sexual” eficiente ao longo do tempo — e isso é ótimo até o ponto em que se torna tédio. Para sair do piloto automático, por exemplo, experimente algo que nunca tentaram juntos. Não precisa ser radical: pode ser uma posição diferente, sexo em um horário inusitado, um novo tipo de preliminar.
Além disso, a Rati tem cursos de sexualidade que podem abrir possibilidades que você não imagina que estão disponíveis — de técnicas de estimulação ao Kama Sutra.
5. Cuide do uso excessivo de celular e redes sociais
O celular é o assassino silencioso do desejo. Segundo especialistas em relacionamentos, o “roubo de tempo” das redes sociais substitui justamente os momentos de proximidade, por exemplo olhares, toques, conversas, que alimentam o tesão. Além disso, a exposição constante a padrões físicos irreais pode aumentar inseguranças e distanciar você da sua própria sexualidade.
Não se trata de eliminar o celular da vida. Visto que basta criar espaços deliberadamente livres de tela — durante refeições, nas primeiras horas da manhã, antes de dormir.
6. Conheçam as fantasias um do outro — mas não todas
Casais que não sabem nada sobre as fantasias um do outro acabam sendo vítimas fáceis do marasmo. Por outro lado, aqueles que exigem transparência total perdem o fator misterioso que alimenta o desejo. O equilíbrio, entretanto, é ter espaço para fantasiar livremente e compartilhar o que sentir vontade — sem obrigação de revelar tudo.
Uma sugestão prática de Esther Perel: crie um email ou perfil fictício reservado exclusivamente para conversas eróticas com o parceiro. O espaço separado libera inibições.
7. Mantenha o seu “eu sexual”
Achar alguém atraente, admirar a beleza, se sentir desejável — tudo isso faz parte da sexualidade e não tem nada a ver com traição. Quando casais “amortecem” completamente a sexualidade que não diz respeito ao parceiro, acabam perdendo vitalidade sexual. O desejo que você mantém por si mesmo e pelo mundo é o que o mantém desejável para o seu par.
8. Experimente massagem sensual
Massagem sensual é uma das formas mais acessíveis — e eficazes — de reconectar fisicamente. Comece com toques leves por todo o corpo, sem pressão de ir direto à região genital. Aumente a intensidade gradualmente, preste atenção nas reações do parceiro. Às vezes tudo o que o casal precisa é de um contato físico prolongado e sem pressa.
Se quiser explorar mais, conheça a massagem nuru ou a massagem tântrica, que a Rati também ensina em curso específico.
9. Use aplicativos de casais
Existem apps gratuitos que funcionam como jogos de sex shop digitais. O Jogo de Sexo (verdade ou desafio com temática sexual) e o Dados Eróticos (combinações aleatórias de ação + parte do corpo) são duas opções simples e sem custo. São ferramentas úteis para quebrar o gelo e introduzir novidades de forma lúdica.
10. Aprenda a falar sobre sexo e durante o sexo
O “sexo verbal” — seja por mensagem ao longo do dia ou durante a transa — é altamente eficaz para aumentar a excitação. Para quem tem vergonha, o começo pode ser sutil: “que vontade de te ver hoje” ou “acabei de lembrar daquele dia que você fez [tal coisa]”. Pequenos feedbacks positivos durante o sexo também fazem muito: respiração audível e sons de prazer comunicam ao parceiro que o caminho está certo.
11. Mantenha o bom humor
Pessoas com bom humor são percebidas como mais atraentes — e o humor dentro do relacionamento também importa. Pequenas grosserias acumuladas, ironias repetidas e um tom constante de reclamação são muito broxantes. Não se trata de fingir que tudo está bem, mas de abordar os problemas com mais leveza quando possível.
12. Planeje o sexo sem vergonha
A espontaneidade que os casais sentem no início do relacionamento raramente é espontânea de verdade — é o resultado de muito planejamento inconsciente: a roupa escolhida, o restaurante, a música. Portanto, planejar o sexo não é “falta de tesão”. É maturidade. Marcar um horário, preparar o ambiente, mandar uma mensagem no começo do dia deixando claro o que está planejando para a noite — tudo isso cria antecipação, que é um dos ingredientes mais poderosos do desejo.
13. Aposte na diversão e na leveza
Conforme o relacionamento se torna mais sério, muitas pessoas inconscientemente “mortecem” a parte mais brincalhona do sexo. Transar em lugares diferentes, rir durante o sexo, propor uma fantasia com um quê de absurdo — tudo isso alimenta o erotismo. O sexo que tem leveza e humor tem muito mais chance de ser o sexo que o casal vai querer ter de novo.
Como resume Esther Perel: “Para esses casais, a brincadeira é fundamental para seu relacionamento, e o erotismo vai além do ato sexual.”
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Perguntas frequentes sobre como apimentar a relação
Quanto tempo leva para apimentar uma relação que ficou sem tesão?
Depende da causa. Se o problema é monotonia pura, algumas mudanças práticas podem surtir efeito em semanas. Se há questões mais profundas — como conflitos não resolvidos, baixa autoestima ou problemas de saúde mental —, o processo é mais lento e pode se beneficiar de apoio profissional.
E se apenas um dos dois quer mudar a vida sexual?
Essa é uma das situações mais difíceis. O primeiro passo é ter uma conversa franca sobre o que cada um está sentindo — sem acusações e com foco no que você deseja, não no que o outro está errando. Se o diálogo não avançar, terapia de casal pode ser muito útil.
Fantasias sexuais são sinal de insatisfação com o parceiro?
Não. Ter fantasias é absolutamente normal e não significa insatisfação com o parceiro. Na maioria das vezes, fantasias são simplesmente expressões da imaginação — e cultivá-las de forma saudável pode manter o desejo vivo, como defende Esther Perel.
Vibradores e brinquedos eróticos podem ajudar a apimentar a relação?
Sim, quando usados com abertura dos dois. Brinquedos eróticos não são substitutos do parceiro — são ferramentas adicionais. Introduzi-los pode abrir conversas sobre preferências e fantasias que o casal nunca havia tido antes.
A rotina sexual é inevitável em relacionamentos longos?
É comum, mas não inevitável. Casais que investem ativamente na vida sexual — com novidade, comunicação e atenção — mantêm o desejo aceso por muito tempo. O que mata o desejo não é o tempo de relacionamento, é a passividade.

